Um enter para Dias de Amor
Ricardo Antunes − Força
Aérea Brasileira (FAB) e Membro do Grupo Experimental.
Após o término da ligação de Minoru Kofun,
João e Ana Bela, voltam aos afazeres da pequena casa de campo. Enquanto ele vai
ao computador pessoal com objetivo de checar os últimos contatos do mundo, além
de sua paisagem bucólica, prestes a dar os braços com a modernidade e replicar
o desejo daquilo que realmente vale a pena em uma vida em comunhão com o
ambiente sem violência e na busca dos ensinamentos do Todo Criador.
Ela, comove-se, pois, além do quadro com
a rosa presenteada por João no dia do casamento. Outra coisa lhe tira o fôlego,
pois na biblioteca da casa, entre os livros da estante e a janela onde o
oriente se esconde, fica um quadro de vidro e moldura rústica com o véu, onde
sua cabeça foi coberta para recebê-lo no altar da pequena Igreja.
Mais no acanto da biblioteca, posta-se
aos olhares, uma pequena prateleira de vidro em estilo Luiz XV com o bilhete
onde João, naquela noite do passado, em um bar de efervescência cultural, pediu
Ana Bela em casamento e, naquele pequeno bilhete, jaz parte dos dias de
trabalho de João. Todos com Ana Bela em mente.
Para ambos, estar em uma sala com
lembranças, torna-se um viver dos momentos bons para sempre, donde o brindar o
passado é, fazer deles uma abóboda subterrânea, tendo em cada um dos objetos
uma varanda criativa para combater a rotina dos dias de quem se dispõe a vida
comum conjunta.
O amor e a vida em família têm muito a se
aperceber com um cálice da amargura, devido o mesmo começar junto aos passos de
um caminho desconhecido. E de leve, a cada caminhar, podemos, ver ali! Aos seus
olhos, todas as formas conduzir a uma nova opera, sempre datada de novos
horizontes de um brilho onde o perfume da História como um constructo social,
faz valer a pena e esquecer os momentos onde a distância ditava as regras.
Amar é perceber as chuvas, as tormentas,
os terremotos, as nevascas de um por vir efusivo de sentir o outro e de dizer
não a qualquer maneira violenta de vida. E assim, Ana Bela termina o pequeno
e-mail de resposta, no tablet, a sua colega Lindalva do grupo de poetas e
escritores, onde nenhuma e nem a outra andam se fazendo presentes. Neste se
inscrevia: Como Anda os Dias de Amor? Um enter e lá foi a resposta.



Comentários
Postar um comentário
Obrigado!
Fico feliz em receber seu comentário!!