Dois Amigos e o Partícipe Secreto



Ricardo Antunes, Força Aérea Brasileira e Membro do Grupo Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).

Sentados no banco na Praça Central, bem perto do busto em homenagem aos índios, habitantes primeiros desta terra, os dois amigos de longa data mantinham as suas conversas do mês.
Diálogos estes, sempre com um bom tema, ligado ao ato de compreender a sociedade contemporânea, regados a um bom sorvete de máquina italiana, delicia saboreada pelos amigos deste a infância, lá no longínquo século XX.
As mãos dos amigos se apertam, os braços se entrelaçam e em um toque singelo de abraço. Afastados, a poucos passos um do outro pode-se ouvir, “nesta semana, eu, passei o meu tempo e percebi: Foucault em Os murros da Burguesia, ao compreender o campo cientifico, como algo variavelmente desprovido da função emocional, ele estabelece uma ciência pura e racional”, frisa, Ricardo à Draco.
O humanista inveterado, coça a sua barba rala rústica e leva a mão no ombro de Ricardo e ambos vão ligeiramente rumo ao banco, sentados à sombra pude ouvir, “Foucault ao apartar as simetrias emocionais contidas em qualquer elaboração cientifica, apenas colabora para a supremacia do esquecimento da vida comum e individual de quem se posta, as agruras do pensar, as estruturas sociais, ou seja, Foucault , vê a sua população e os não iniciados no mundo científico como seres dotados de vidas comuns. Estes são entes não capazes da arte do raciocínio e a eles, apenas admitem as funções puras da emoção, desprovidas de razão pura”, explica Draco, ao amigo e a minha pessoa presente, a passar desapercebida com sua força e estrutura fria.
Ricardo já terminará o sorvete italiano de uva, mesmo a saber, não ser de bom-tom, passa a mão no bolso da camisa polo, retira um maço de cigarros, tira um deles, passa a mão no bolso das calças, pega e isqueiro e o acende.
Já na primeira tragada ressalta, “Foucault ao perpetuar apenas a identidade racional como meio e método para as ciências, ele nos revela a tônica de sua função social. As ciências, as academias, os cientistas, os graduados, os bacharéis são considerados uma classe comparada a um balaústre único, detentor da capacidade primaz de raciocínio e de o pensar as ‘coisas’ do planeta”, esboça, Ricardo e, eu mais uma vez, tento e já me insiro no bate-papo dos amigos.
Sem os dois amigos (Ricardo e Draco) perceberem e sem atrapalhar penso... “Ora! Mesmo duro e frio, possuo raciocínio lógico, também tenho emoções. Tal forma de separar o emocional do racional, será possível no cotidiano? Os lugares onde homens e mulheres provenientes das Instituições de Ensino Superior, não se têm vida individual e seus percalços habituais?”.
O amigo no banco cruza as pernas, sem saber, influência e, é influenciado pelo pensamento daquele ser material, participe, a passar desapercebido por ele e o amigo.
Enquanto, ele, folheia a revista de perspectivas de negócios futuros, alteia a voz, “ caso venhamos a admitir a existência do espaço/tempo feito parte de uma natureza natural e de uma natureza humana, dentro de uma lógica de pontos de conexão de ambas as materialidades e de diálogo com algo superior e imaterial, podemos encarar as simetrias emocionais e a razão como algo presente em todas as estruturas pensantes e, essa razão simétrica e engajada conjuntamente com a emoção são funções de uma razão e emoção equilibradas e presentes nas pesquisas e na própria práxis consciente e de vida, donde poderemos admitir a existência da não neutralidade deste espaço/tempo” elabora, Draco.
Coçando a cabeça, típico cacoete de findar da conversa. Ouvimos, “concordo com a sua pontuação Draco e, vejo nas simetrias emocionais e nas razões contidas dentro das produções de cada ser humano, sem distinção, tende a nos fazer perceber enquanto seres com uma identidade interligada e multidimensional, donde o senso comum, o senso crítico e o senso científico são potencialidades presentes em diferentes e diferenciadas contas, formas, volume do corpo de cada humano”, expõe, Ricardo.
Os dois amigos, sempre sentam neste mesmo lugar e ainda, não me perceberam, todos que ficam um tempinho ou apenas caminha por essas bandas, nem sabem, mas, eu também tenho certa ligação com este espaço/tempo. Com minha forma forte e fria, também sou presente na materialidade de um plano humano e divino. Eu, sou, o banco da Praça Rui Barbosa e acabo de contar, um pouco de uma das conversas, na qual acompanho.

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