Pedreira Amiga




Ricardo Antunes, Força Aérea Brasileira e Membro do Grupo Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).

            Há época, nos velhos anos oitenta, garoto junto com meus amigos brinquei livremente entre lugares naturais desafiantes, tal qual, a pedreira do bairro Santo Antônio. Área onde se encontrava vários desafios, dentre eles, uma vertente de água, posta como a mais perigosa. Tudo para brindar as meninices. Para melhor visualização dos mais jovens, a avenida dos Araçás com as construções do entorno e sua via em si não existia, era tudo natureza meio degradada.
       Desde cedo éramos bombardeados pelo estigma da findada guerra fria. Como toda criança aos olhos explodia o bombardeamento de filmes de ação contando um pouco, do qual seria os palcos de ações militares entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e o campo Estadunidense, dentre esses filmes, Rambo e Platoon eram os clássicos das noites de televisão aos sábados, domingos e segundas-feiras.
       Depois dos filmes, polícia e ladrão dava lugar a nossa guerra pessoal, Rússia, Vietnã e Estados Unidos e o palco brincante, a pedreira amiga. Os meninos da rua de baixo nomeada como Gonçalves Dias, contra a rua de cima da minha amada General Dutra, onde fiz muitos bons amigos.
       Cada um de nós buscávamos suas réplicas de armas de madeira feitas com restos de construção. Depois as equipes treinavam suas táticas de ataque a palhoça do outro. Um dia, escaladas nas alturas pelos caminhos erigidos pelas mãos operárias dos ferroviários. Noutro, exercícios de tomada da bandeira do grupo adversário, atravessando o ribeirão Baguaçu, garantido era, um bom banho nas suas águas geladas.
       Dentro da pedreira, cada rua construía seus esconderijos secretos, verdadeiras cabanas onde guardávamos alimentos para cozinhar na fogueira com lenha achada ali mesmo. Mães quase sempre ficavam sem uma panela, às vezes, esses pequenos delitos garantiam algumas surras aos soldados da pedreira, por nós chamado de buracão.
       Garotos competitivos todos nós éramos, quem tomasse a bandeira da capuaba adversária, direito de comer o almoço feito pelo opositor detinha. No fim das quantas ficava o gosto do dividir a mesma gororoba, escutar as mesmas broncas devido às roupas encardidas. Além de ouvir ao pé do ouvido, as lendas dos mais velhos, sempre prontos a apontar rastros da noite passada da sucuri malévola que morava ali no Baguaçu.
       Dor mesmo, sentíamos quando as muriçocas nos picavam. Vida boa! Melhor parte de uma época, todos nas casas dos sete aos nove. Vida boa, toda finada, pois, na atualidade, as crianças em sua plena maioria vive uma vida entre eletrônicos, bites e terabytes.

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