Olha: Meu Professor É M.E.I.
Crônica Urbana
Ricardo Antunes, Força Aérea Brasileira e Membro do Grupo
Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).
A
madrugada jazia as suas três horas do novo dia, na República da Melem Isaac,
vale ressaltar, à época, tal local era por muitos, uma fábrica para a
estruturação das suas linhas de discurso e até mesmo, as dissertações, teses e
ideias, junto ao tecido vivo das Universidades da Região do Pontal do
Paranapanema. Leitor! Sabe diferenciar o nome da Região de Presidente Prudente?
Calma! Em outra crônica urbana (com atos baseados em histórias verídicas), vou
contar como esse oásis de cultura deixou de ser denominada de Região Oeste.
Na
Melem, Antunes, postergava alguns momentos de presença na condição de agregado
domiciliar, uma vez, essa agremiação ter a já acostumada superpopulação. Para
grande parte da população, não universitária o contingente excedente de
moradores, seria inaceitável, mas para um unespiano raiz de uma forma ou de
outra, soa como porta de oportunidade para troca híbrida e rito de passagem da
vida.
Naquela
madrugada regada a uma boa dose de bebidas geladas e quentes, numa reunião com
o Doutor Almeida, o bate-papo partiu para as conjuras e conduções da cultura
momentânea, também conhecida pelo jargão popular de “modinha” e como a mídia,
levava um processo quase imperceptível em favor do ensino domiciliar.
Sentados
em um colchão de casal na sala, o diálogo acerca do tema, agora, reluz a
presença do Doutor Sergio (famoso entre todos por suas belas unhas, sempre bem
aparadas) e do agregado, Antunes.
A
abordagem da temática começa com a hipótese da educação familiar, vista sob o relâmpago
a dar vida a um “Frank Stein a matar a criatividade, a cidadania, o mundo do
trabalho, o aumento de dramas familiares e conseguinte as relações da cadeia
produtiva Nacional.
Sergio
passa a mão no pedaço de folha, apara o lápis, abaixa a cabeça levemente,
coloca as mãos na cabeça e em tom firme, inicia pontuando, “a criatividade como
identidade coletiva, estará totalmente esfacelada, devido à falta de conexão do
jovem educado no sistema domiciliar. Eles vão passar a não ter a troca de
informações de sua geração. Mas, vamos pensar, uma das saídas possíveis destes
pais, passa pela possibilidade de colocar na mesma sala avantajada, os seus
filhos a partir dos laços de amizade”.
Antunes,
sabedor das boas avaliações de Sergio, tendo em vista a sua observação etnográfica,
entre trabalhadores informais da feira de pequenos produtores rurais na região
de Araçatuba, salienta, “amigo como fica o componente de trabalho nesta
perspectiva de saída?”.
Sergio,
interessado diz, “essa é uma estratégia para negar os princípios do próprio ensino
domiciliar e essa possibilidade é dada como ilegal. Com essa escolha eles
estarão a implementar, uma pretensa escola coletiva e as escolhas de quem entra
nestas salas, os são o de interesse de uma pretensão de estabelecer um novo
modelo de condução dos quadros decisórios profissionais de uma nova Casa Grande”.
Daí...
Antunes. Vão deixar de pagar o valor total das mensalidades de ensino de seus pequerruchos
e essa possibilidade de contratar um professor. Essa contratação cheira a uma
nova forma de pagar menos para os professores? Teremos professores tipo M.E.I (Microempreendedor
Individual)? Imagina... Vamos dormir e amanhã, voltamos a nos falar e você me pauta
a hipótese da educação familiar, vista sob o relâmpago a dar vida a um “Frank Stein
a delapidar a cidadania e o aumento de dramas familiares. Pode ser?
Antunes,
sonolento aponta um joinha e grita: “combinado. Vou pesquisar dados
demográficos. Ok?”.



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