Muito além dos travesseiros: O Sonho de Zezé!
Ricardo Antunes, Força Aérea Brasileira e Membro do Grupo
Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).
É noite, Lena - a mãe de Zezé chega a casa,
cansada como sempre, procura a filha no quarto para dar uma boa noite e fazer
as cobranças usuais de mãe, tais como, a tarefa da escola, se a mesma regou o
jardim e o habitual telefonema para a avó do Estado da Bahia.
Ao apontar na porta do quarto, Zezé corre em
direção da mãe e a abraça de uma forma mais forte que os dias anteriores. Olhos
um tanto baixos começam a contar toda a sua experiência na Casa das Crianças e
a ela pergunta. Mamãe, como um jovem, uma criança pode ficar sem pais, viverem
feito pássaro preso em uma gaiola?
Lena trata o assunto cascudo sem deixar
rusgas e mágoas na filha, apenas diz: nem tudo na vida são contos de fadas, o
mundo pode ser perverso e às vezes é melhor viver em um orfanato do que
aparecer nas estatísticas como mais uma criança vítima fatal da violência.
Outras lá estão, devido à crueldade de falta de oportunidades, seus pais a
entregam por não conseguir prover o sustento. Mas, você foi visitar aquela sua
amiga, Vanessa?
Zezé sabedora da alma generosa da mãe cintila
a cabeça com os olhos brilhando, típico de quando quer pedir algo e Lena, já
sabe disso, há tempos. Diga minha filha! Qual o desejo desta vez?
Sem pestanejar Zezé apropriando o discurso da
mãe ressalta. Bem a Vanessa pouco sai daquele lugar, gostaria de trazer ela
para passar um dia em casa e isso uma vez por mês.
Ela sempre me ajudou na escola, esteve nos
melhores e piores momentos, me viu chorar de amor, perder o BV (boca virgem) e
trilha soluções geniais de avanço dos meus estudos. Você e o papai pode fazer
este pedido formalmente ao diretor da Casa das Crianças?
Lena responde de forma amável, seu pai já me
telefonou a tarde e já encaminhei, agora é esperar a autorização e ela pode sim
passar o dia e dormir aqui em casa, porém, às duas deverão cumprir as tarefas
da escola, sem gaguejar.
Zezé pula de alegria, nossa mãe, a Vanessa
tem o desejo de conversar com a senhora sobre a violência contra as mulheres.
Assim, a gente faz o trabalho de sociologia junta e você nos ajuda, não é?
Sim filha, Lena, exausta se despede do
quarto. Antes mesmo de sair à filha informa a mãe, vou fazer um movimento na
escola para os alunos visitarem e levarem presentes para as crianças, todas
elas estão carentes de atenção e de alguns mimos.
Boa Noite, mamãe! Zezé deita a cabeça no
travesseiro com mais um sonho, um tanto ingênuo. Já sua mãe, Lena – vê uma nova
jornada se abrir aos olhos da filha, algo muito maior do que o voluntariado.
Nesta vereda, o sol deve brilhar muito além dos umbigos de sua própria família.



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