Gira de Rosas e Novos Sonhos




Ricardo Antunes, Força Aérea Brasileira e Membro do Grupo Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).

Há tempos, o olhar de Draco não cruza com Leocácia, a última tentativa de diálogo, veio por parte dela. Sua voz, ao telefone, nos ouvidos de Draco, entoava feito cores de um arco-íris rarefeito, pois, ele, acabara de chegar de uma sessão de atendimento e, tal trabalho, fez Draco pedir para descansar, não detinha ele, nenhuma força mental ou física para se quer, um minuto de diálogo, seu corpo e mente, só pediam boas horas de descanso.
Já do outro lado da linha telefônica, Leocácia a compreender a condição de Draco, a ele, indaga se ainda a amava. Draco, cansado, diz, não. Mas, o não se refere a continuidade do diálogo naquele horário e, logo, ele recai no mundo dos sonhos, tendo em si, o querer máximo de um abraço de Leocácia e, a cada passo no estreito de um não, não compreendido na sua completude, leva as vidas dos dois por uma rua sem (destino) chamada distanciar. Draco, neste sonho, a Leocácia, diz:

Amor, todos devemos buscar solenes, os nossos olhares rentes, a buscar permanecermos sob os mesmos dias. Vale muito, uma palavra de carinho, um nariz com nariz, lábios com lábios, conquistas com conquistas em uma onda de um, ter no outro, a vontade de brindar a imagem refletida um do outro, nas cores da íris de nossos corpos.

De repente na manhã de outro dia, Draco, na sala americana da periferia de Araçatuba, acompanhado com suas memórias, inatas a sua vida, Draco observa atentamente a pequena rachadura na parede, a pequena fissura o sobrepõe a muitos calendários nas vidas dele e de Leocácia.
Sozinho em seu mundo de sonho lúcido, Draco, se vê, sem o abraço com o gosto de ontem, na janela de seu tempo, resplandece o âmago de bem-ditas palavras trocadas com Leocácia, agora, elas estão escritas, tendo neste cômodo feito testemunha, a sorrir, nuvens imaginárias de um novo encontro de almas, onde o destino se faz no imperativo primaz da procura de uma vida futura sob passos conjuntos de viver, ambos uma mesma linha de história.
Draco espera o dia de reencontrar Leocácia, quem sabe na gira quinzenal, pode ele, estar frente a frente com a possibilidade de olhares entrelaçados e dali partir para conversas sinceramente necessárias e assim, poderão ter eles, a chance de desnovelar todas as dúvidas e sombras a pairar sob ambos. Quem sabe, do entendimento e do recomeçar, surja um tempo de rosas.



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