Entre Mares e Marés: Elos de Conflitos da distância.
Ricardo Antunes, Força Aérea Brasileira e Membro do Grupo
Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).
O
telefone fixo, mudo a um mês, toca na casa de campo de João. Há cerca de seis
meses decidirá dedicar os minutos do relógio a sua esposa, mulher de seu tempo,
esforçada na conquista de seus sonhos e de ciúmes temperados ao máximo, assim,
ambos, já detinham algo em comum desde o início.
João deixa o jardim com um eu
contemplativo, este conhecido de poucos, apenas visto nos momentos de
felicidade extrema. Nessas horas, os dedos das mãos se entrecruzam levando de
leve o dedo indicador a bochecha.
Pela marca do Ypê Roxo, feita a quatro
mãos com a esposa no tempo onde chegaram aquele pedaço de chão é dada a data e,
quase a hora de Minoru Kofun ligar, ao menos, dez anos, João espera este dia.
Uma voz rouca, daquelas a não negar o
tempo e suas rusgas, bem como a magia proveniente do contar Histórias ditas de
pai para filho. Konfu, nos dá bom dia:
– Olá! Está na viva voz? Certa vez ou
outra, você perguntou sob os elos de como o sentir as Histórias das antecedentes
maternas e paternas e de como seus escolhidos por tempos em marés e mares
longínquos, também os permaneceram distantes. Tens noção de toda essa dor?
Calado, joelhos sujos da mesma terra,
João apenas fechou os olhos, pegou nas mãos da esposa e respondeu:
– Sim, há muitos tenho lutado para
esquecer que seus braços, um dia os foram em outras direções. Há muito tenho
visto a dor de quem amo devido a essa experiência dos elos de ligação desigual,
manter-se longe, construir sonhos e depois desfazê-los e isso dói mais que as
folhas juntadas do terreno. Mas se a tenho, hoje, és simplesmente pelas bençãos
da possibilidade de estar neste período, junto sob o mesmo sol e a mesma lua em
estações e tendo ao redor da mesma mesa quem um dia coloquei dentro do meu mesmo
desespero. Compreende?
Antes da resposta, João e Ana Bela
começam a derramar poucas lágrimas e o velho Kofun apresenta as saudações de
quem no mar um dia foi obrigado a viver longe do amor. Saiba, disse ele:
–
A construção de um sonho não cabe em uma ação, encontrar um conflito apenas,
onde as ondas tenham ligado os destinos e eles mesmos em função da batalha, não
se torna tarefa fácil. Mas, nesta minha noite de festa, convidado da Associação
“Kenroi” vou falar das breves dores de o distanciar de quem ama e nos faz verbo
em amar, pois ser verbo é a junção de sonhos, de vontades e súplicas. Gostaria
de levar um Haiku para representar toda a magia destes dias com a sua
escolhida?
Depois de anos a fio em espera, os olhos
azuis encontraram pela primeira vez a boca de quem um dia ousou dizer a
distância, eu te amo. É assim o sentido das palavras, agora, eternizadas em
meus versos de iniciante. Obrigado pela oportunidade, anote o Haiku!
O sol se despe
dele brota a flor nova
presente
véu de ontem.
O casal voltou aos afazeres de cuidar do
jardim e do terreno de seu lar, enquanto sorriam para a primeira rosa-vermelha
dada na noite após o casamento sutilmente colocada em um quadro na parede da
sala.



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