E aí: Melhorou?

Ricardo Antunes, Força Aérea
Brasileira (FAB) e Membro do Grupo Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de
Letras (A.A.L).
Após a tarde
constrangedora, Zezé tenta se aproximar com Adamastor, o dia na piscina, sua
declaração, tudo estava entreaberto. Logo, ela foi a mídia digital conversar
com o jovem. Ele, decidido, bloqueia a garota de seu mundo. Ao se ver boqueada,
a jovem sente um vazio, cresce um sentido de impotência e indignação. Ela, cai
em uma bad tremenda.
Dia seguinte, Zezé na
entrada da escola, pensa como vai proceder, ambos se sentam um, na frente do
outro, pois, as cadeiras da sala são arrumadas, formando um círculo. A garota
se sente insegura, fica no mesmo lugar. Adamastor, muda seu assento e a menina
moça tem na face seu coração ferido. A primeira disciplina do dia é de redação
com o professor Francisco Vehem,
carinhosamente chamado de Chiquinho.
Zezé é aluna exemplar, o
que de certa forma, faz os professores do colégio destinar a ela, boas
perguntas. O tema da aula gira em torno de argumentos sobre os conflitos
armados no Oriente Próximo. Objetivando a construção de opinião, Chiquinho
questiona. Gente! Qual o motivo de tantas guerras, tendo a religião como fonte
de destruição do outro?
Caroline levanta a mão e
defende ser o poder que enriquece os religiosos uma das fontes. O professor
acena com a cabeça e diz a Vanessa. Como vê essas motivações negativas para a
paz? Sem titubear, a aluna, afirma. As motivações são a falta de amor ao
próximo e zelo pela palavra pregada nos textos religiosos, tais como a Torá, a
Bíblia e o Alcorão.
Chiquinho sorri e diz: Vejo
ela triste, hoje. Pegamos leve. Vamos Zezé, tendo como base as respostas
anteriores e seus próprios conhecimentos, diga-me, essa falta de amor, o poder,
o ódio, a hipocrisia de pregar e não viver a palavra de paz são formas de
escamotear a realidade?
Zezé responde, minha paz
acabou nesse fim de semana. Deve ser falta de amor, ou quem sabe corações
partidos, solidão. Risos tomam a sala e ela abalada, interjeiciona.
Desconsidere, não quero responder, não estou muito bem, começou a chorar,
levantou do lugar e correu para fora gritando. Eu vou terminar meus dias em
solidão. Vanessa vai atrás da amiga e diz: Tenho dezesseis, sabe, no Brasil com
minha idade a adoção é difícil, então convivo com a solidão. Zezé: Seu problema
é solidão? Desculpe, acho que não. Zezé com mãos na face, explica: Vou pensar
nisso, outro dia você me fala da Casa das Crianças.
As duas se
abraçaram retornando de mãos dadas a aula. Antes de entrar, Vanessa encarar a
amiga. Zezé. E aí: Melhorou? Refaça a resposta da matéria. Na porta da classe,
Zezé interrompe o professor. O problema do Oriente Próximo são as disputas por
narrativas religiosas. Lá brigam por um palmo de terra, onde seus salvadores
tenham pregado a palavra, um deseja a vingança para sangue derramado há
milênios. Chiquinho, aplaude e pondera: Estamos no fim das quatro aulas. No
próximo encontro, leiam sobre drogas lícitas.


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