Conversa do tempo sob o novo tempo




Ricardo Antunes, Força Aérea Brasileira e Membro do Grupo Experimental (G.E) da Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).

Tarde de outono, na sala de aula da Universidade Chapadão da Noroeste, todos os discentes estão apostos para iniciar o diálogo entre os materiais elaborados para uma pequena explanação científica com vistas a expor percepções e agruras em outro momento, aos seus familiares no dia de visita à Universidade Chapadão do Noroeste.
Eis então o professo Antunes dá o primeiro encaminhamento: “Percebam, alunos, com o passar do tempo, todos criamos um lugar multidimensional para nos encontrarmos e reconduzir nossas decisões, enquanto velhos jovens, a dar margem às tentativas de compreender as luzes e escuridões, bem como, as fumaças de ambos os lados no largo profundo dos dias, dos novos tempos. Tudo para sacramentar, a nossa própria evolução”.
“Nos jardins da Igreja Única, eis os caminhos da felicidade plena, junto ao educar na reprodução da educação familiar. Como tudo isso se significa e nos ressignifica na estrutura de um relógio social decorrente da estrutura de quem ama e de quem, sempre se faz amar-te? Quais tantas, as juras de lembranças e memórias de tempos de dias, não mais nossos? Quantos abraços, no qual, ao lado, vive uma nova e passada ordem de vida?” Diz, pensativo, o novo Aedo Eric ao professor Antunes sob o olhar atento de trinta e nove discentes.
Antunes, abre a pasta, retira dela uma página de uma pintura de Carl Larsson (1859 – 1928). A partir, delas, tenta compor as sugestões positivadas e de construções críticas nos projetos de educação familiar e da forma como este pode nos compor uma linha contemporânea, entre a lógica da educação familiar, a solidão, a pequenez dos alunos presos a sua casa e desejosos de outras inter-relações no ato de socialização encontrado na escola e de como a educação em casa, pode erguer mais muros juntos as almas dos estudantes, encarcerados mais ainda em lares e de vivências apostas, sempre àquilo desejado pelos seus pais e ou responsáveis.

Logo, Antunes sugestiona e pede aos estudantes para compor a sala de aula e para eles colocarem as cadeiras todas, uma de cima da outra. Alunos e professor ao chão com seus devidos materiais. Assim, sussurra, Antunes:
— Vamos lá, classe. Veja esta obra de Carl Larsson (1859 – 1928) reconhecido pelas suas pinturas familiares edílicas e quais os olhares do aluno sem a escola?




Olhem profundamente a imagem superior e as tenha sob o pensar, onde tudo, nos sugestiona e imprime a verdade da busca no passado para recompor nossos anseios sociais, fala Antunes a Leocácia, posicionada no seu lado esquerdo na sala. Ela de olhos fechados e mãos em riste ao horizonte, tal qual, um estudante de primeira viagem a colocar seu trabalho no escaninho, continua o professor:

— Quero dizer! Em uma sociedade onde tenhamos o tempo como sugestão e no hoje em mudança dentro da nova ordem multidimensional, todas as teses de tempo fluem na mente humanamente construídas e nos faz elaborar tal unidade em nosso cotidiano ao ponto de esquecermos a sua totalidade. Logo, neste mar de criação humana, chamada de tempo, borbulham até mesmo em uma mesma sociedade, teses de um tempo medieval, outras de períodos de exceção, uma de momentos de vida totalmente nacionais, patrióticos ou apenas de ganho com a vida social de todas as formas, a se buscar o lucro, também temos o tempo como marca de trabalho e de marcação de nossos compromissos diários, tal qual, essas quatro aulas. Porém, quais as formas visíveis da mudança do tempo na nova sociedade colocada aos nossos olhos, quando o fator é destituir o papel do Estado do dever da Educação e como o tempo é percebido pela educação em casa?
O tempo, nas novas gerações desde a sua presença na gestação e no ventre da mãe, o tempo não é sentido, ele é algo não perceptível, ao se deparar com o mundo, depois de vir ao mundo, o tempo e suas nuances, desta nova geração, passa a esquecer o relógio (ele, não é percebido no seu dia a dia) e os grandes contingentes demográficos de massa desta juventude se entregam ao trabalho feito um líquido dentro da estrutura social.
As novas gerações são compostas de um feeling de seu tempo com o do trabalho já completos e neste, fazem as suas atribuições e têm em si o relógio do trabalho e assim, as estruturas sociais, no qual, pensam a escola como lócus de treinamento e persuasão para prepararem estes jovens, junto as funções do trabalho, não mais veem a necessidade de adestrar os jovens para cumprir as jornadas de trabalho e passam a defender a não mais necessidade da escola e por sua vez, defendem o estudo no âmbito de suas casas.
Um dos alunos do fundão da sala, levanta a mão e logo, interpela: “Podemos considerar mais uma prerrogativa de difusão, deste ideário de escola e educação familiar. Quer seja, para os pais dessa geração, a sedução do programa de educação familiar pode ser tentadora, pois eles, olham para seus herdeiros e notam o quanto mais desenvolvidos são as suas crianças e de como estes lhe dão melhor junto as ferramentas digitais e eletrônicas e de como buscam e destilam novos conhecimentos por essas formas de aprendizagem e a partir disso como, os pais podem ver estes meios como suficientes para seus filhos?, afirma Ricardo.
Certo, pontua Antunes e acena para o lado direito de seu peito e da sala: “Ricardo, veja: A educação familiar é, na verdade, uma forma da geração em vias de superação em ter e mantes nas rédeas os seus filhos, mas não como uma conjectura de decréscimo do ensino formal escolar, nem mesmo da falta real de segurança na escola, teses tão apregoadas por seus defensores. O ensino familiar de hoje proposto, não passa da necessidade de pais em moldar seus filhos como os mesmos desejarem e aparta-los de um contato com o diferente, aparta-los de conhecer realidades e vidas diversas e diferentes das de seu núcleo familiar”.
Sentada onde o olhar do professor sempre a busca, Leocácia levanta a mão esquerda e diz: Tudo no projeto de educação familiar na conjuntura populacional do Brasil se dá feito (rédea) e, ao mesmo tempo, busca maneira de conhecer o mundo, já cognoscível em jovens e crianças, na percepção de uma educação profundamente individual, essa educação é a supremacia do individual frente a necessidade coletiva, donde cada um destes jovens, já são educacionalmente iniciados para o mundo de vida e o trabalho multidimensional.
A família, olhando tal nova categoria de trabalho e percebendo as possibilidades infinitas de informação, nesta multidimensão, passam a guiar, os passos dos filhos, traçando um caminho para o novo mundo multidimensional e a este, imprimindo, uma individualidade que mesmo, negando a ideologia são impregnadas pela ideologia individualizante.
Certo, eterna Leocácia, devemos ter em mente: “As crianças e jovens estão prontos para viver um mundo multidimensional. Contudo, a vida, vias células micros dimensionais, dadas em aparelhagens eletrônicas são determinantes em formas de aprendizado, já nato na mente e na própria busca pessoal de cada um destes jovens. Porém, a vida social, apenas será plena e correta, dentro da existência de uma escola modificada e preparada para seu fim de educar, socializar e preparar para o mundo do trabalho e da vida social”, estrutura Antunes.
Do canto central da sala e da vista do professor Antunes, Lúcio levanta a mão e próspera: “Como e quando se inicia a mudança da escola?”
Antunes revigora: “Das mais variadas formas de convívio familiar e educacional e uma das mais prodigiosas formas de rever o ensino e a escola se dá via a Ciência de Educomunicação e de uma percepção de ter a (família) feito parte do processo de ensino aprendizagem e não como forma e fundamento de ensino familiar em suas casas”. 

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