Bailarina Solitária

Ricardo
Antunes, Força Aérea Brasileira (FAB), participa do Grupo Experimental (GE) da
Academia Araçatubense de Letras (A.A.L).
Alfredo – pai de Zezé, a espera na escola,
decidiu conversar sobre a tristeza da filha, depois da aula. Zezé no carro,
coloca o cinto e ele percebe a nítida face de choro da filha. Sem mais a
instrui. Filha, amor que cobra muitas noites em claro, muitas lágrimas na face
ou dor, não é amor. Isso é subjugação do outro e ambos voltam a rotina. Como
foi a aula? Pergunta o pai.
Zezé, a ele explica: Sai da sala gritando,
ser meu fim a solidão, a Vanessa foi me ajudar. Ela disse, não crer que meu
problema seja solidão. Percebi, ela é amiga, há tempos e nunca a fui visitar.
Quando chegar em casa você liga na Casa das Crianças para eu ir lá nesta tarde?
Alfredo com as sobrancelhas arqueadas, tenta
não ferir a filha. Zezé, visitar a Nadine ou a Caroline, não é a mesma coisa de
visitar a casa dos órfãos. Ali tudo tem hora! Vamos ver, afirma o pai.
Em casa, Zezé ruma direto para o quarto,
antes de subir pela escada de acesso ao andar dos aposentos, abraça o pai e
pede para a chamar na hora de ir até a Casa das Crianças e a ele diz, vou comer
apenas um lanche, não vou almoçar.
Vamos ver, Zezé! Responde, ele.
Exata uma hora depois, Alfredo pensativo bate
na porta da filha. Vamos Zezé, devemos chegar lá em vinte minutos, você pode
conversar com a sua amiga por uma hora.
O virtus para em frente a Casa das Crianças,
a construção em estilo antigo com as paredes com tintas descascadas, aponta
desilusão. Nesse tempo, Zezé estala os dedos pensando nos anos, nos quais,
poderia ter vindo.
Alfredo deixa a filha entrar. Já na recepção,
Vanessa está de pé, as duas se abraçam, forte. A interna leva a amiga ao pátio
onde estão outras crianças – elas loquazes especulam uma a outra. Será, Adoção!
Sentadas em um banco azul de madeira, Vanessa
adianta. Amiga, vamos falar de solidão? Lembra o porta-jóias do amigo-secreto
que ganhei do Luciano? Zezé fala eufórica responte com um sorriso largo: Você
também o tirou!
Vanessa sorrindo de canto de boca, diz. O
porta-jóias tem sido minha única companhia. Aqui não temos nem o arbítrio e a escolha
para apagar o interruptor de luz a noite. Ir ver a rua, sair. Só com a monitora
do orfanato. Isso é solidão, pois a liberdade plena, não existe. Já as
pretensões amorosas, você pode escolher. Esqueça o Adamastor, ele não a
respeita e, tenho certeza, você vai sofrer e olha lá se ele não bater em você, um
dia.
Decidi esquecê-lo, imagina, mulher apanhar de
homem, minha mãe atende um caso por dia no hospital. Vamos falar de coisas
boas, vou visitar você mais vezes, não terás apenas a bailarina solitária como
companheira e para lhe dar dias com um mais azul-claro, vou pedir para minha
mãe solicitar sua saída para ir a minha casa, uma vez por mês. Topa?
Sim. Tem o trabalho de sociologia para
escrever sobre o tema da violência. Aproveito e falo de violência contra a
mulher com sua mãe. Pode ser, Zezé?
Sim, responde Zezé e as duas feito irmãs mais
velhas, passam a brincar com as crianças mais novas do orfanato.


Comentários
Postar um comentário
Obrigado!
Fico feliz em receber seu comentário!!